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Pais apontam distanciamento das crianças dos videogames tradicionais e preocupam indústria

Pais observam que crianças preferem jogos gratuitos em dispositivos móveis, sinalizando um desafio para a renovação do interesse por videogames clássicos.

Children playing Nintendo Switch videogames
Imagem com texto em ingles rejeitada na selecao automatica. Imagem: Kana Natsuno from Tokyo, Japan.

Pais observam que crianças preferem jogos gratuitos em dispositivos móveis, sinalizando um desafio para a renovação do interesse por videogames clássicos.

Mudança nas preferências de jogos infantis preocupa pais e mercado

Um leitor do portal britânico Metro.co.uk compartilhou uma preocupação que vem observando: o distanciamento das crianças dos videogames tradicionais, como os oferecidos por consoles dedicados, em favor de jogos simplificados e gratuitos em dispositivos como smartphones e tablets. Segundo ele, enquanto seus próprios filhos cresceram jogando clássicos da Nintendo, como Mario, Pokémon e Zelda, muitas outras crianças hoje têm acesso a jogos mais superficiais, como Minecraft e Roblox, maioritariamente em dispositivos móveis, e não aos consoles ou PCs para jogos.

O relato destaca que em muitos lares, apesar dos pais possuírem consoles ou computadores, não incentivam as crianças a usá-los. Em vez disso, optam por fornecer dispositivos móveis para entretenimento rápido e fácil, o que leva os pequenos a se interessarem principalmente por jogos que não exigem dedicação ou aprendizado aprofundado. A crítica é que isso limita o contato das crianças com experiências de jogos mais ricas e potencialmente benéficas para seu desenvolvimento cognitivo e social.

Benefícios de jogos tradicionais e influência no desenvolvimento infantil

O autor da reflexão ressalta que jogos da Nintendo, como Pokémon, auxiliam no desenvolvimento da leitura, enquanto títulos como Zelda promovem habilidades de raciocínio lógico e resolução de problemas. Em contraste, ele compara a preferência pelo Roblox a uma alimentação desequilibrada, onde o consumo excessivo de jogos simples e rápidos equivale a comer docinhos de forma compulsiva, sem aproveitamento de valor nutritivo, ou seja, sem estímulo intelectual mais elaborado.

Essa diferença na qualidade do estímulo proporcionado pelos jogos não deve ser subestimada, pois as horas gastas em videogames podem contribuir para o aprendizado e a formação de competências quando manejadas adequadamente. Portanto, o distanciamento dos videogames tradicionais pode ter impacto negativo nos benefícios educacionais e sociais associados a esses jogos.

Consequências para a indústria e o perfil do consumidor

A mudança nos hábitos infantis já repercute diretamente no mercado de videogames. Grandes empresas do setor, como Sony e Microsoft, enfrentam um cenário onde os jogos mais elaborados, especialmente os single-player (com foco em narrativa e experiência individual), encontram dificuldades para conquistar público jovem. Em contrapartida, cresce a popularidade dos chamados jogos 'live service' — títulos online, normalmente gratuitos, que priorizam a interação social e o engajamento contínuo.

Essa tendência reflete a alteração do perfil do consumidor, cujas primeiras experiências com jogos são dominadas por plataformas móveis e jogos gratuitos, gerando um desafio para a indústria, que vê redução na demanda por jogos tradicionais, muitas vezes considerados mais complexos e custosos para produzir. O envolvimento precoce e orientado das crianças com videogames tradicionais é apontado como uma forma de garantir a renovação do público consumidor a longo prazo.

Desafios culturais e familiares na relação com videogames

O texto também chama a atenção para um paradoxo cultural: muitos pais têm consoles e computadores, mas parecem não incentivar suas crianças a explorarem essas plataformas. Em vez disso, usam smartphones e tablets para distração rápida, supervalorizando a praticidade em detrimento da qualidade do conteúdo.

Esse comportamento pode gerar uma percepção entre as crianças de que videogames são apenas jogos gratuitos e simples, usados principalmente como desculpa para socialização ou distração passageira (às vezes referida como 'friendslop'). Essa falta de mediação parental e de estímulo a jogos mais ricos pode ser considerada um dos principais fatores para o distanciamento das gerações mais jovens dos jogos tradicionais, afetando tanto o entretenimento quanto o desenvolvimento pessoal.

Perspectivas e possíveis soluções para reconectar crianças aos jogos tradicionais

Para reverter essa tendência, tanto pais quanto a indústria de videogames devem atuar: os responsáveis podem equilibrar o acesso das crianças a jogos diversos, promovendo o uso de consoles e títulos educativos que estimulem criatividade, raciocínio e aprendizado, além do simples entretenimento.

Já as empresas como Nintendo, Sony e Microsoft têm a oportunidade de reforçar suas ofertas para o público infantil, investindo em títulos familiares, acessíveis e com valor pedagógico, além de desenvolver campanhas que mostrem os benefícios desses jogos. A combinação de esforço familiar e comercial pode ajudar a reconstruir o vínculo das novas gerações com o universo dos videogames tradicionais, preservando tanto o aspecto cultural quanto o potencial formativo desses jogos.

Informações editoriais

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Autor Tiago Oliveira
Categoria Games

Fonte: Metro