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Campanha com deepfake de IA causa polêmica em eleição no Connecticut após projeto de lei travar na Assembleia

Vídeo de campanha com deepfake criado por inteligência artificial gera controvérsia nas eleições no Connecticut enquanto projeto de lei sobre o tema permanece.

Campanha eleitoral no Connecticut usando deepfake criada por IA
Campanha eleitoral no Connecticut usando deepfake criada por IA. Imagem: CT Insider.

Vídeo de campanha com deepfake criado por inteligência artificial gera controvérsia nas eleições no Connecticut enquanto projeto de lei sobre o tema permanece.

Deepfake criado por inteligência artificial marca eleição primária no Connecticut

Uma campanha eleitoral está movimentando o debate sobre o uso de inteligência artificial (IA) na política no estado americano do Connecticut. Na disputa para o cargo de juiz da vara de sucessões em Bridgeport, um vídeo foi divulgado contendo versões feitas por IA dos políticos Joe Ganim, prefeito da cidade, e Paul Ganim, juiz titular do cargo desde a década de 1990. No vídeo, ambos são mostrados dizendo coisas que jamais disseram, como acusações sobre aumento de impostos e desvio de dinheiro.

Esse conteúdo foi produzido usando fotografias estáticas, aparentemente retiradas do arquivo do veículo CT Insider sem autorização, transformadas em vídeo com vozes sintéticas em lingugem e entonação criadas por IA. O vídeo foi publicado pela campanha de Mark Bradley, advogado particular que desafia Paul Ganim na primária do Partido Democrata.

Projeto de lei que regulamentaria deepfakes em eleição está parado na Assembleia

Autoridades estaduais discutiram a necessidade de legislar sobre os chamados "deepfakes" gerados por IA em campanhas políticas, que podem difundir informações falsas e manipular eleitores. Um projeto de lei proposto em 2026 pretendia criar regras para o uso de materiais sintéticos enganosos — que incluiriam vídeos e áudios manipulados — especialmente divulgados até 90 dias antes das eleições.

O projeto, que havia sido aprovado em comissão, não chegou a ser votado no plenário da Câmara dos Deputados estadual. A proposta teria permitido que o procurador-geral do estado ou candidatos prejudicados entrassem com ações civis contra os responsáveis pela criação e disseminação de deepfakes na política.

Campanhas se acusam de manipulação e campanhas de desinformação

Mark Bradley admitiu que o vídeo usa tecnologia de inteligência artificial para criar vozes e falas falsas atribuídas aos irmãos Ganim, mas defende a veracidade das mensagens transmitidas. Por sua vez, o gerente de campanha de Paul Ganim afirmou que o vídeo é claramente uma tentativa de enganar o público, ao colocar palavras inexistentes na boca de pessoas reais.

Além disso, a campanha de Paul Ganim criticou material gráfico divulgado contra Bradley. Um folheto mostrava uma imagem alterada de Bradley ao lado do ex-presidente Donald Trump, alegando que ele era um "Republicano Trump-MAGA", o que ele nega completamente. O uso ou não de IA para manipular essa imagem não está claro, mas o candidato denuncia como uma tentativa de confundir eleitores.

Especialistas alertam para o perigo dos deepfakes e a dificuldade de sua identificação

Pesquisadores da Universidade de Connecticut avaliam que o vídeo de Bradley é um exemplo precoce, embora primário, dos riscos que a tecnologia traz para o processo democrático. A professora Ji Yun Suk destaca que mesmo quem reconhece a manipulação pode ser influenciado pela mensagem se ela reforçar suas convicções.

Outro professor da mesma instituição, Michael Patrick Lynch, enfatiza que o dano principal dos vídeos deepfake não é a crença em uma mentira específica, mas o enfraquecimento da confiança entre os eleitores, tornando difícil saber em que acreditar e minando a fé na democracia.

Próximos passos e expectativas sobre a legislação em Connecticut

O deputado estadual Matt Blumenthal, um dos proponentes do projeto, afirmou que a aparição do vídeo ilustra justamente o que a legislação pretendia coibir: o uso de deepfakes para enganar eleitores sem aviso de que o conteúdo é manipulado ou satírico.

Ele espera que o projeto volte à pauta em breve, apesar das dificuldades, sobretudo pela pressão de grandes empresas de mídia e plataformas digitais que manifestam preocupação com as implicações da lei. Blumenthal alerta para o risco de que episódios como o caso Bradley servem como um alerta para a urgência da regulamentação.

Enquanto isso, a campanha do próprio Bradley enfrenta investigações por supostas irregularidades eleitorais referentes ao voto em dois estados, o que adiciona complexidade ao cenário político local. A situação ainda está sendo apurada pelas autoridades responsáveis.

Informações editoriais

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Atualizado em
Autor Tiago Oliveira
Categoria Tecnologia

Fonte: CT Insider