← Voltar ao início IA

Governador de Illinois sanciona lei pioneira para regular IA e mitigar riscos

Illinois avança em regulação da IA com lei que aumenta transparência e responsabilização de grandes modelos.

Governador JB Pritzker durante evento oficial de assinatura da lei de regulamentação da IA em Illinois
Governador JB Pritzker durante evento oficial de assinatura da lei de regulamentação da IA em Illinois. Imagem: SJO Daily -.

Illinois avança em regulação da IA com lei que aumenta transparência e responsabilização de grandes modelos.

Contexto da nova lei de IA em Illinois

Na última segunda-feira, 6 de julho de 2026, o governador de Illinois, JB Pritzker, sancionou uma legislação pioneira que estabelece regras para o desenvolvimento e uso de grandes modelos de inteligência artificial (IA) no estado norte-americano. O texto, chamado Artificial Intelligence Safety Measures Act (Lei de Medidas de Segurança para Inteligência Artificial), segue iniciativas semelhantes já aprovadas na Califórnia e em Nova York, criando um modelo estadual que pode servir como padrão nacional diante da ausência até o momento de uma regulamentação federal.

Com a crescente preocupação em torno dos impactos sociais, econômicos e de segurança trazidos pela IA, estados como Illinois buscam agir preventivamente para assegurar que as tecnologias avançadas sejam desenvolvidas com responsabilidade, transparência e controle eficaz. Segundo Pritzker, embora o Congresso e o presidente dos EUA continuem relutantes em legislar, muitos por interesses privados, o estado opta por estabelecer guardrails claros para proteger a população e o mercado.

Principais pontos da legislação que visa mitigar riscos

A lei abrange grandes modelos de IA que geram receita anual superior a cerca de R$ 3 bilhões e exigem enorme capacidade computacional para treinamento. Entre as regras, destaca-se a exigência de que os desenvolvedores publiquem um framework detalhado para identificação e avaliação de riscos catastróficos, definidos como eventos que podem causar a morte ou ferimentos graves em mais de 50 pessoas, ou prejuízos acima de cerca de R$ 5 milhões em propriedades.

Outro ponto relevante é a obrigação de reportar, em até 72 horas, quaisquer incidentes com potencial de causar danos relevantes ao estado, reduzindo esse prazo para 24 horas em casos imminentes de risco à vida ou integridade física. Além disso, a lei exige auditorias independentes anuais — mais rigorosas que as contrapartes da Califórnia e Nova York — para garantir o alinhamento das práticas dos desenvolvedores com os padrões de responsabilidade e segurança.

Reações e importância do marco regulatório

O projeto contou com apoio amplo entre legisladores de Illinois, sendo aprovado com maioria bipartidária e apenas cinco senadores republicanos contrários. Grandes empresas de IA, como OpenAI e Anthropic, expressaram apoio à iniciativa estadual, apesar de manifestarem preferência por uma regulamentação federal coordenada para evitar um emaranhado de regras locais divergentes.

Para os defensores da lei, a medida é necessária diante da velocidade com que a IA evolui e dos casos recentes que deixam claro os riscos concretos: desde a utilização da IA em atentados em massa até ataques cibernéticos a infraestruturas municipais. Ao estabelecer um ambiente regulatório claro, o estado busca equilibrar os benefícios tecnológicos com a proteção da sociedade.

Especialistas que colaboraram na formulação da regulamentação avaliam que este é apenas o começo. Existe a expectativa de aprofundar a avaliação e controle da IA em áreas sensíveis ao público, como saúde e educação, e de ampliar os mecanismos de transparência e responsabilidade para garantir que os avanços tecnológicos não ocorram às custas da segurança e dos direitos das pessoas.

Impactos práticos e próximos passos

A legislação entra em vigor em 1o de janeiro de 2028, dando tempo para que empresas e órgãos públicos se adaptem aos novos requisitos. As penalidades para quem descumprir as normas somam até cerca de R$ 5 milhões para a primeira infração e podem chegar a cerca de R$ 15 milhões em reincidências, sendo aplicadas pela promotoria do estado.

Além das regras já definidas, o desafio será acompanhar a rápida transformação da tecnologia e implementar mecanismos eficazes de avaliação e auditoria, inclusive externa, que atestem a segurança dos modelos antes de seu lançamento no mercado.

Nas palavras de Pritzker e de outros legisladores envolvidos, o caminho é um equilíbrio entre inovação e responsabilidade, ressaltando que a regulamentação da IA não deve representar um banimento ou um engessamento do setor, mas sim a criação de condições para que esta tecnologia beneficie o público de modo seguro e transparente.

Informações editoriais

Publicado em
Atualizado em
Autor Tiago Oliveira
Categoria IA

Fonte: SJO Daily -