Estudo da Nvidia e Oracle mostra que data centers de IA podem reduzir consumo de energia em 30% durante pico na rede elétrica
Ensaios com clusters Nvidia e Oracle revelam corte de até 35% no uso de energia em data centers durante momentos.
Ensaios com clusters Nvidia e Oracle revelam corte de até 35% no uso de energia em data centers durante momentos.
Redução dinâmica de consumo em data centers durante momentos críticos da rede
Uma parceria entre a Emerald IA, Nvidia, Oracle Cloud Infrastructure, Salt River Project e o Electric Power Research Institute (EPRI) realizou uma série de testes em campo que revelou que data centers voltados para inteligência artificial (IA) podem reduzir seu consumo de energia em mais de 30% nos momentos de estresse da rede elétrica. Essa economia é conquistada ao agendar e ajustar operações em tempo real conforme sinais enviados pela rede elétrica, sem perder desempenho.
O princípio básico do método é adaptar dinamicamente as cargas de trabalho computacional conforme a disponibilidade energética, tornando os data centers flexíveis, em vez de consumidores fixos de eletricidade. Com isso, estes ambientes deixam de ser simplesmente
sumidouros
Testes realizados nos EUA e no Reino Unido comprovaram a eficácia da estratégia
O primeiro teste ocorreu em maio de 2025 no data center da Oracle Cloud em Phoenix, Arizona, onde um cluster formado por 256 unidades de processamento gráfico (GPUs) Nvidia conseguiu reduzir o consumo de energia em 25% durante três horas consecutivas. Importante destacar que essa diminuição não prejudicou a qualidade ou a quantidade dos serviços de inteligência artificial executados.
A seguir, em dezembro de 2025, um segundo teste foi conduzido em Londres no data center da Nebius, utilizando 96 GPUs Nvidia Blackwell Ultra. Neste caso, a redução no consumo ultrapassou 30%, alcançando picos de 35%. A resposta foi rápida, com a queda na demanda de energia ocorrendo em até 30 segundos após o sinal da rede — nesse caso a National Grid. Essa redução foi mantida por até 10 horas, demonstrando a robustez do mecanismo.
Esses resultados são importantes porque provam que data centers podem funcionar não apenas como grandes consumidores de eletricidade, mas também como aliados para a estabilidade da rede energética em situações críticas.
Emerald Conductor: o software que faz a orquestração inteligente dos recursos
O responsável pela coordenação dessa flexibilidade é o Emerald Conductor, uma plataforma desenvolvida pela Emerald IA. O software ajusta, distribui e pode até pausar tarefas automaticamente nas diferentes unidades processador gráfico (GPU) dos clusters, respondendo em tempo real aos sinais do sistema elétrico, sem necessidade de intervenção humana.
Essa capacidade autônoma de adaptação transforma o data center em um verdadeiro amortecedor dinâmico para o sistema energético, contribuindo para evitar picos de carga que podem comprometer a estabilidade da rede e contribuir para blecautes.
A plataforma funciona como um elo integrado entre os operadores de data center e as concessionárias, possibilitando um controle muito mais eficiente do consumo nos momentos de necessidade, e funcionando como um recurso de gerenciamento de demanda (demand response).
Relevância e potencial impacto para o setor energético e para o Brasil
Os resultados têm implicações significativas para o mercado energético global. Data centers representam uma parcela crescente do consumo de eletricidade mundial, especialmente aqueles dedicados à inteligência artificial, que demandam grande poder computacional e, consequentemente, alta potência elétrica.
Nesse contexto, ser capaz de reduzir rapidamente e sem prejuízo operacional seu consumo durante picos da rede pode evitar o acionamento de usinas termoelétricas, que são custosas e mais poluentes, contribuindo assim para uma matriz energética mais limpa e eficiente.
No Brasil, o equilíbrio da rede elétrica também enfrenta desafios, sobretudo considerando o crescimento das cidades e da demanda por serviços digitais e de nuvem. A introdução de tecnologias que permitam aos data centers atuar como dispositivos de gerência da demanda pode beneficiar o sistema nacional, reduzindo riscos de apagões e otimizar o uso das fontes renováveis, cuja geração é variável por natureza, como solar e eólica.
Desafios para aplicação em larga escala e perspectivas futuras
Embora os testes sejam promissores, ambos foram realizados em clusters relativamente pequenos, com até algumas centenas de GPUs. Já os data centers hiperescaláveis de grandes empresas como Microsoft, Google e Amazon operam com dezenas de milhares de GPUs. Isso levanta questões sobre a escalabilidade da abordagem e se a mesma capacidade de resposta pode ser mantida sem perda de qualidade nos serviços, que são altamente exigentes em desempenho e disponibilidade.
Além disso, é necessário consolidar protocolos de comunicação seguros e eficientes entre operadores de data centers e concessionárias elétricas, garantindo rapidez e precisão nas respostas sem comprometer a segurança cibernética.
Se esses desafios forem superados, essa tecnologia poderá representar uma mudança de paradigma para o setor elétrico, transformando data centers de consumidores passivos em participantes ativos na gestão da demanda energética global.
Informações editoriais
Fonte: Crypto Briefing