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IA acelera descoberta e desenvolvimento de medicamentos com novo instituto na Universidade de Washington

Pesquisadores da Universidade de Washington usam inteligência artificial para otimizar etapas críticas no desenvolvimento de medicamentos.

Laboratório de pesquisa da Universidade de Washington focado em IA para desenvolvimento de medicamentos
Laboratório de pesquisa da Universidade de Washington focado em IA para desenvolvimento de medicamentos. Imagem: Phys.org.

Pesquisadores da Universidade de Washington usam inteligência artificial para otimizar etapas críticas no desenvolvimento de medicamentos.

Desafios na descoberta e desenvolvimento de medicamentos e o papel da inteligência artificial

O desenvolvimento de novos medicamentos é reconhecido como um dos processos científicos mais lentos e com maior taxa de insucesso, já que cerca de 90% dos candidatos a medicamento não chegam ao mercado. A complexidade desse processo decorre do fato de que, para serem eficazes, os medicamentos precisam superar diversas barreiras fisiológicas para alcançar com segurança seu alvo terapêutico, além de apresentarem segurança e estabilidade durante o uso.

Recentemente, a inteligência artificial (IA) tem acelerado a etapa inicial do desenvolvimento, dominada pela identificação de moléculas promissoras dentre um enorme leque de possibilidades. Essa abordagem tem trazido avanços importantes, mas continua enfrentando desafios significativos na otimização das propriedades farmacocinéticas e farmacodinâmicas dessas moléculas para transformá-las em medicamentos efetivos para o paciente.

O Instituto para Inovações em Administração e Disposição de Fármacos (I2D3) da Universidade de Washington

Para superar esses desafios, a Universidade de Washington inaugurou em julho de 2026 o Instituto para Inovações em Administração e Disposição de Fármacos (I2D3, na sigla em inglês), vinculado à Escola de Farmácia. O instituto reúne especialistas de áreas diversas como inteligência artificial, descoberta de medicamentos, farmacologia, ciências de dados e biotecnologia, com o objetivo de atuar na transição crítica entre moléculas úteis e medicamentos comercializáveis.

Segundo os diretores do instituto, Gaurav Bhardwaj, Nina Isoherranen e Marco Pravetoni, atualmente a maior dificuldade não está mais na descoberta inicial de moléculas que interagem com proteínas-alvo doentes, mas sim na integração das múltiplas propriedades que um medicamento precisa ter para ser eficaz, como estabilidade, capacidade de absorção, metabolismo adequado e entrega precisa ao local de ação. O I2D3 desenvolve modelos computacionais para simular e otimizar essas características, melhorando as chances de sucesso ao longo do desenvolvimento clínico.

Personalização dos tratamentos e aprimoramento da segurança com IA

Outro fator em destaque no trabalho do I2D3 é o uso da inteligência artificial para predizer como os medicamentos se comportarão em diferentes indivíduos. Por meio de modelos chamados “gêmeos digitais”, que simulam digitalmente as características fisiológicas do paciente — como função renal e índice de massa corporal — é possível estimar a resposta a uma droga antes mesmo da sua administração real.

Esse avanço pode reduzir a necessidade de ensaios clínicos extensos e caros, além de diminuir as chances de falha nos testes. Também amplia o acesso a medicamentos para populações que são tradicionalmente excluídas de estudos clínicos, como gestantes, para as quais a segurança do uso é pouco documentada. Dessa forma, o I2D3 contribui para um desenvolvimento farmacêutico mais eficiente, seguro e personalizado.

Além disso, a IA possibilita gerar milhares de candidatas a fármacos em menos tempo, elevando a produtividade e qualidade da triagem inicial, para que os mais promissores avancem para as etapas seguintes do desenvolvimento.

Sinergia com outras instituições e impacto no ecossistema de pesquisa da Universidade

O trabalho do I2D3 está alinhado com outras referências de pesquisa da Universidade de Washington, como o Instituto de Design de Proteínas (IPD), cujo diretor David Baker foi laureado com o Prêmio Nobel de Química recentemente. Enquanto o IPD destaca-se na criação de novas proteínas, o I2D3 se concentra em aspectos fundamentais do desenvolvimento farmacêutico, como formulação, fabricação, estabilidade e administração dos medicamentos.

Essa colaboração permite uma cadeia integrada desde a inovação molecular até a aplicação clínica, acelerando a transformação de descobertas científicas em medicamentos eficazes e disponíveis no mercado. O I2D3 atua como uma ponte entre as etapas iniciais da descoberta e os complexos processos de desenvolvimento e comercialização farmacêutica.

Ao conjugar a expertise em design molecular do IPD com as habilidades clínicas do Instituto de Tradução em Ciências da Saúde e as competências em desenvolvimento farmacêutico do I2D3, a Universidade de Washington fortalece seu ecossistema para inovar em tratamentos médicos complexos com o auxílio da inteligência artificial.

Informações editoriais

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Autor Tiago Oliveira
Categoria Tecnologia

Fonte: Phys.org