← Voltar ao início Tecnologia

IA prevê com precisão resistência ao fogo de novos materiais para indústria

Contudo, sua inflamabilidade inerente representa um desafio de segurança, restringindo seu uso em aplicações críticas onde a resistência ao fogo é essencial.

Artificial intelligence model for flame retardant epoxy resin
Artificial intelligence model for flame retardant epoxy resin. Imagem: Phys.org.

Contudo, sua inflamabilidade inerente representa um desafio de segurança, restringindo seu uso em aplicações críticas onde a resistência ao fogo é essencial.

Nova ferramenta de IA para prever resistência ao fogo em resinas epóxi

Pesquisadores do IMDEA Materials Institute, localizado na Espanha, desenvolveram uma estratégia baseada em inteligência artificial (IA) para prever e avaliar a resistência ao fogo de resinas epóxi. Esses polímeros são amplamente usados na indústria, especialmente nos setores de construção civil, automotivo, eletrônicos e aeroespacial, devido às suas propriedades mecânicas e químicas. Contudo, sua inflamabilidade inerente representa um desafio de segurança, restringindo seu uso em aplicações críticas onde a resistência ao fogo é essencial.

O estudo foi publicado na revista científica Polymer Degradation and Stability e destaca que o novo sistema permite identificar, de forma rápida e econômica, materiais mais seguros e eficientes. Isso se mostra especialmente vantajoso ao substituir os métodos tradicionais baseados em ciclos demorados e caros de tentativa e erro, comuns no desenvolvimento de materiais retardantes de chamas.

Desafios do desenvolvimento de resinas epóxi resistentes ao fogo

As resinas epóxi, apesar da versatilidade, possuem alta inflamabilidade, o que gera riscos em ambientes que demandam segurança contra incêndios. Para reduzir esses riscos, fabricantes incorporam retardantes de chama aos polímeros. Entre eles, os retardantes à base de fósforo, conhecidos como P-FRs (Phosphorus-based Flame Retardants), têm sido destaque por oferecerem alternativas mais seguras, principalmente por não conterem halogênios — elementos que geralmente possuem impacto ambiental e toxicidade superiores.

O processo tradicional para desenvolver retardantes eficazes envolve várias etapas: concepção do material, síntese laboratorial e testes experimentais. Este método é não apenas lento e dispendioso, mas também dependente de condições experimentais difíceis de padronizar. Esses fatores dificultam a inovação rápida e a personalização de materiais para aplicações específicas.

Funcionamento do modelo de inteligência artificial desenvolvido

A nova ferramenta desenvolvida pelo IMDEA foi treinada com um conjunto de dados que inclui 510 amostras de compósitos de resinas epóxi contendo retardantes baseados em fósforo. O modelo utiliza aprendizado de máquina para analisar a estrutura molecular desses retardantes, bem como a formulação do polímero e outras variáveis relacionadas.

Desta forma, é possível prever dois indicadores chave usados internacionalmente para avaliar resistência ao fogo: a classificação UL-94 de inflamabilidade vertical e o Índice Limitante de Oxigênio (LOI). A UL-94 avalia o comportamento do material quando exposto a uma fonte padronizada de ignição, classificando-o conforme o tempo que continua queimando após a ignição, presença de gotejamento de material inflamado e outras características do fogo. Já o LOI mede a concentração mínima de oxigênio em uma mistura com nitrogênio necessária para manter a combustão do material em teste.

A combinação dessas duas métricas proporciona um panorama completo e confiável do comportamento do polímero em condições reais de exposição ao fogo, contribuindo para avaliações mais precisas do desempenho de materiais.

Inovação na avaliação e potencial impacto industrial

Além da capacidade preditiva, o trabalho apresenta um sistema de avaliação que integra os resultados da IA em uma classificação simples e direta, dividindo o desempenho retardante dos materiais em quatro níveis: excelente, bom, moderado e fraco. Essa abordagem facilita a interpretação dos dados por engenheiros e desenvolvedores de materiais, agilizando a tomada de decisão e a priorização de polímeros com maior potencial para uso seguro.

O modelo já foi validado utilizando estudos de caso externos, o que demonstra sua robustez e aplicabilidade em contextos reais. O grupo de pesquisa em Polímeros de Alta Performance e Retardantes de Chama, liderado pelo professor De Yi Wang no IMDEA, planeja expandir a base de dados para incluir outros tipos de polímeros e retardantes, ampliando assim o escopo e alcance das previsões.

As aplicações diretas dessa tecnologia podem contribuir para o aumento da segurança em componentes eletrônicos, baterias de veículos elétricos, interiores de aeronaves e materiais de construção, segmentos nos quais a resistência ao fogo é crucial para proteção de usuários e integridade estrutural.

Considerações finais e próximos passos

O desenvolvimento deste modelo representa um avanço na integração da inteligência artificial ao campo dos materiais poliméricos com foco em segurança contra incêndios. Ressalta-se, entretanto, que o sucesso do modelo depende da qualidade e diversidade dos dados utilizados para seu treinamento, o que reforça a importância de expandir as bases de dados para outras categorias de materiais retardantes.

Embora o estudo esteja focado em retardantes à base de fósforo e resinas epóxi, as metodologias apresentadas podem ser adaptadas para outros polímeros, conforme a ampliação da base de conhecimentos. Essa adaptação, contudo, requer validação e ajustes específicos para garantir a acurácia das previsões.

No que tange ao mercado brasileiro, embora o artigo não analise diretamente dados locais, a aplicação dessa tecnologia poderá ser relevante para indústrias nacionais que utilizam resinas epóxi, pois há demanda crescente por materiais seguros e ambientalmente responsáveis em setores variados como construção, automotivo e eletrônicos. O avanço em IA para a segurança de materiais pode, portanto, influenciar normas, desenvolvimento e competitividade industrial no Brasil e no mundo.

Informações editoriais

Publicado em
Atualizado em
Autor Tiago Oliveira
Categoria Tecnologia

Fonte: Phys.org